terça-feira, 5 de abril de 2016

Guiller quer ser um Lutter




O pequeno e franzino Guiller Harry estava sentado a beira de um lago pensando no que faria, seu pai era um Reuroreig Guardião famoso dentre os seus.

Guilhermo Harry era um guardião com três estrelas, não é chamado de Guilhermo era chamado de Dir-Gui um dir-Reuroreig o terceiro nível na federação dos maiores combatentes de todo o continente de Netórious. Ele era perito em  martelo de duas mãos.

E por conta disso desde que se entendeu por gente Guiller recebia o peso de ser o sucessor de seu pai, o filho de Dir-Gui seria tão forte quanto o pai, seria um Reuroreig guardião de marca maior, mas agora com quase treze anos – idade em que os jovens entram para as academias principais – e com corpo muito franzino, isso não parecia ser possível. Sem contar que ser um guardião não era a intenção de Guiller, ser sentinela parecia ser mais interessante pra ele.

- O que está acontecendo meu filho? – perguntou sua mãe que ele nem a ouviu chegar por estar tão absorto em seus pensamentos.

Ele assustou-se ao lado dele olhando para o horizonte onde o céu estava alaranjado por conta do sol que estava prestes a se por.

- Oi mãe. – disse Guiller com voz trêmula.

- O que você tem meu filho? Tenho visto você meio triste nos últimos dias, quer conversar?

Guiller precisava falar com sua mãe sobre o que estava pensando, mas como faria, ele sabia a regra de não haver segredo entre seus pais, entre a família na verdada, eles conversavam sobre tudo e qualquer coisa que o pequeno Harry dissesse a sua mãe, logo chegaria aos ouvidos do grande Dir-Gui.

 - Fala meu filho – o abraçou de lado – vamos resolver essa situação.

Que se dane Pensou ele.

- Eu não quero ser um guardião – as lágrimas começaram a rolar por sua face –todos esperam que eu seja, mas não tenho nem um físico adequado pra isso. Olha pra mim mãe – apontou pra si – o papai nessa idade já tinha um físico que mostrava para o que ele tinha vindo. – Vez uma breve pausa para limpar o secreção que estava saindo das narinas e enxugar as lágrimas – a maioria dos garotos que vão para a academia Reuroreig tem uma complexidade física maior do que a minha.
            
- E o que você que fazer?

- Eu quero ser um sentinela, quero ir pra academia de Lutter.
           
 Lisa segurou o rosto de seu filho, olhou em seus olhos. Enxugou as lágrimas dele com seus polegares e deu um sorriso acolhedor.

- Não se preocupa com isso seu bobo.

- Mas mãe eu sei que é isso o que o papai espera de mim.

- Quem te disse isso meu amor? – Ela falava com cada vez mais ternura.

- Todos dizem isso.

- Todos menos o seu pai e sua mãe.
            
Guiller sentiu-se confuso.

- Meu filhote você é livre para escolher a academia que quiser, e se você quiser ir para Kal-Han em No-han para se tornar um Dunster, eu e seu pai nos mudaremos para lá. Tudo o que queremos é a sua felicidade, e se você não quiser entrar em nenhuma academia e seguir outra profissão estaremos completamente de acordo.
            
- A senhora está mesmo falando a verdade?

Ela se limitou a sorrir antes de responder:

- Vim lhe chamar para jantar, seu pai acabou de chegar de viagem e está cheio de fome e histórias para contar – Pôs-se de pé e limpou a parte de trás de seu vestido – Na mesa conversaremos com seu pai sobre, e você vai ver o quanto está errado.

Lisa esticou a mão para ajudar seu filho a levantar. Ela já estava sorrindo mais tranquilo.

Na mesa de jantar a princípio Lisa não deu abertura para o pequeno falar, estava ouvindo as novidades sobre a viagem do dir-guardião Gui.
            
Que seu grupo foi atacado no meio do caminho de volta, mas que seus atacantes não foram páreos para ele, com seu imenso martelo de duas mãos, girando e quebrando os ossos de seus inimigos que não tinham sequer a chance de se defender.
           
 Guilhermo tinha um jeito muito animado de falar e conseguia transforma uma cena ainda que brutal em algo meio que hilário.
            
E assim seguiu-se o jantar, mas foi quando Lisa trouxe a sobremesa – um pudim de coco – foi que Guller sentiu suas mãos gelarem, um frio no estômago e um filete de suor gelado descer por sua têmpora.

- Nosso filho tem algo pra te contar amor. – Informou Lisa a seu marido.

- Opa, que bom saber que meu magrelo tem novidades. – Ele saiu do lugar que estava sentado para se sentar em uma cadeira ao lado de seu filho – O que mandas campeão?

- Eu... Eu... – as palavras não saiam, estava muito nervoso e com medo de decepcionar seu grande herói.

- Apenas fale meu filho – assim como sua esposa, Gui também sorria de uma forma muito amável para seu filho.

- É que eu não quero ser guardião – Ele falou de cabeça baixa e o fim da frase saiu quase inaudível.

- Fale olhando para mim – Pediu Gui duramente.
Ele levantou a cabeça e repetiu agora com um pouco mais de força.

- Eu não quero ser um guardião, quero ser um sentinela da academia Lutter.

Gui levantou-se abruptamente e deu um abraço apertado em seu filho tirando-o da cadeira:

- Que bom que você escolheu a tempo o que queria ser magrelo.

O aperto chegou a doer.

O dir-guardião largou seu filho e o mesmo meio que caiu na cadeira.

- O senhor não está chateado comigo?

- Lhe falei que era bobagem você se preocupar – interpelou Lisa entregando um pratinho para cada um com uma fatia de pudim.

Os pais se cumprimentaram dando um selo rápido nos lábio e então Gui prosseguiu:

- É claro que é bobagem meu filho, vou lhe dizer uma coisa – nesse instante ele inclinou-se mais para frente – quando entrei pra academia Reuroreig, entrei por que meus pais queriam e eu não sabia o que queria fazer, mas como eu já estava lá por que não executar meu trabalho com perfeição? Depois de um tempo eu quis ser um monte de coisa, mas como eu já estava lá...

- Então o senhor não gosta do que faz?

- Gosto e muito, mas comecei perdido e fiz dando o meu melhor, mas de forma meio que vazia, sem saber ao certo para onde ir – Lisa passou por eles e foi puxada para sentar no colo de seu marido – foi quando conheci a sua mãe que eu me empenhei mais ainda em bancar o pavão com as melhores penas. Isso claro eu já tinha meus dezenove pra vinte anos.

- Bobo – disse Lisa aplicando outro beijo rápido em seu marido – Seu pai já tinha uma estrela quando eu o conheci, mas não era o único. Depois de saber que havia outros interessados em mim começou a entrar nas piores missões e por fim ao ganhar a segunda estrela e ser o único a fazer essa proeza tão jovem teve todo o respeito dos meus pais e me pediu em casamento. Mas claro que já estávamos namorando muito antes dos meus pais saberem.
            
- Ta vendo magrelo, se quer ganhar uma disputa tenha mais de uma estrela em sua licença.
            
- Até parece que eu só fiquei contigo por causa das suas estrelas. – Retrucou Lisa sorrindo e dando um tapa de leve no braço do seu marido.
            
- Você não, mas seus pais só deixaram porque eu era o melhor.
           
 Ela limitou-se a abanar a cabeça negativamente sorrindo de leve:
           
 - Como eu te disse mais cedo meu filho – continuou Lisa – estamos aqui para lhe apoiar, e se você quisesse treinar em outra cidade, nós daríamos um jeito de te mandar para lá e em seguida nos iriamos juntos.
           
 - É, por que o crédito de um federado de três estrelas nunca fica vazio. – Brincou Guilhermo.
           
 Todos riram.
            
- E o senhor não vai ficar com vergonha?
            
- Por que eu ficaria?
            
- Porque a academia Lutter além de ser fundada por uma mulher, a maioria dos frequentadores são meninas.
           
 - Meu filho é muita estupidez alguém achar uma arte fútil só porque foi desenvolvida por uma mulher. E se alguém falar alguma coisa sobre meu filho querer ser um Lutter, vai ter que se ver comigo.
           
 Guiller apensa sorriu feliz por ter o apoio do seu herói.
            
Terminaram a noite ouvindo mais sobre a viagem do homem da casa.
           
Duas semanas depois, no dia da inscrição nas academias Dir-Gui fez questão de vestir sua armadura de batalha com martelo na costa e ir junto de seu filho.
            
- Academia dos guardiões é claro – Afirmou o escriba.
            
- Negativo – respondeu o guardião de três estrelas por trás de seu filho com as mãos apoiadas em seu ombro. – Ele vai para academia de sentinelas Lutter, E qualquer um que ache isso desonroso – agora ele falava para todos ali – que venha falar comigo.
            
O hall ficou silencioso, as pessoas evitavam até expressar qualquer coisa.

        
O silencio foi quebrado pelo escriba que pediu para Guiller assinar o seu nome no livro de inscrições do qual ele assinou, com muito orgulho e satisfação pois seria um sentinela e seria uma lenda assim como seu pai.

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