terça-feira, 13 de outubro de 2015

Lembranças...




Lembranças



        Sabe...
Sempre lembro-me de uma fatídica noite da minha infância, que por muito tempo me causou dor lembrar, e que faz pouco tempo que consegui fazer parar de doer.
Demorei muito para entender que não adiantava eu me martirizar pelo que havia acontecido, que eu não poderia ter feito nada, que provavelmente se eu tivesse feito algo só teria piorado a situação.

Eu tinha oito pra nove anos quando aconteceu, estava deitado em uma rede, havíamos acabado de chegar de um aniversário e minha mãe, como sempre, estava bem irritada, aquele era seu estado normal.
Tratei de me deitar logo justamente por medo, aquele medo que beirando o terror, sabe aquele suspense que sentimos, quando o monstro está espreitando o protagonista de um filme, e você se segura na cadeira com receio do que está pode vir? Aquele arrepio na espinha que lhe agarra e diz que não vai embora? Pode parecer exagero, mas era mais ou menos isso que eu estava sentindo, com medo que minha ela se virasse para mim com toda aquela ira.
“Fique imóvel...
Seja invisível aos olhos dela...
Finja que está dormindo...
Respire bem lentamente...
Ela não vai fazer nada se você estiver quietinho...”

E foi quando o primeiro baque surdo fez-se ouvir, acompanhado de um grito agudo de dor, não foi atrás de mim que o monstro veio, foi atrás do meu irmãozinho.
Naquele momento a ferida se abriu, com oito pra nove anos, meu cérebro e meu coração ficaram marcados.
Você deve estar se perguntando porque a dor se eu não fiz nada?
Exatamente... Eu não fiz NADA enquanto meu irmãozinho, aquele que eu deveria proteger a qualquer custo, apanhava violentamente...
Não fiz NADA enquanto ouvia o baque surdo do tamanco acertando-o.
Eu queria fazer algo... Queria agir... Fazê-la parar... Não era certo o que ela estava fazendo... Me imaginei levantando da rede e pedindo para parar... Mas não consegui fazer... Meu corpo travou... E tudo que conseguia foi permanecer imóvel... Me tornar imperceptível para não apanhar junto. O que vinha a ser conflitante, já que eu queria que parasse.
Acovardei-me diante da situação, tive a vontade, mas não tive a coragem...
E assim permaneci...
Quieto...
Quase sem respirar...
Invisível...
E com lágrimas escorrendo pelo face.

O que passei trinta anos pensando foi, foda-se se eu era uma criança, eu deveria ter feito algo, me levantado, gritado, feito-a direcionar sua raiva a mim e esquecer dele.
Mas hoje vejo que de nada adiantaria.
O que ela teria feito se eu tivesse agido?
Provavelmente me batido, canalizado a raiva dela em mim, e assim eu teria feito meu papel de irmão mais velho, proteger o mais novo.
No entanto, meus estudos no ramo da psiquê humana, me mostraram que eu teria piorado as coisas, se eu tivesse desafiado-a e tentado fazê-la virar-se para mim, a probabilidade maior é de que ela tivesse ficado com mais raiva, batido com mais força nele, só para mostrar que ela quem mandava e fazia o que queria, e só depois se voltaria para mim.

Não vou dizer que realmente havia deixado de pensar no que aconteceu, pois isso nunca vai acontecer, mas compreendi minha impotência, e já não doía tanto.
Hoje novamente estou com essa sensação, uma nova ferida acaba aparecer... Nesse instante, com olhos cheios de lágrimas, olho para um caixão, onde o meu amado irmãozinho que não nunca consegui proteger, está deitado.
Ele morreu em um tiroteio com a polícia, e não estava do lado dela.
E novamente estou me sentindo culpado, pensando que deveria ter feito algo por ele, que deveria tê-lo protegido, pois essa é a obrigação de um irmão mais velho, mas mais uma vez não aconteceu, na verdade nunca aconteceu, crescemos distantes, não tive a oportunidade de me redimir, e não terei mais.
Sei que é idiota pensar dessa forma, sei que nem a trinta anos atrás, nem agora eu poderia ter feito algo, mas ainda assim essa ideia me persegue. Esse sentimento de culpa novamente se aloja em mim e jura que não vai embora.
É irracional pensar assim, no entanto eu poderia ter feito algo.
Mas o que?

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Escritos Vivos - O Devorador




Escritos vivos
1 - O devorador


“E onde houver corpos desmembrados, em estado de putrefação, ou apenas corpos sem vida, lá estará O Devorador, olhando para essa paisagem infernal como um belo banquete”
               
O homem de pele negra e cabelos longos com dreadlock, entrou no cemitério a procura de uma criação sua, O Devorador.
Era possível ouvir, mesmo de longe, o som que lembrava um lobo devorando as entranhas de sua presa, ou mesmo de porcos comendo.     
“É ele” pensou e continuou a caminhar agora seguindo o som.
O homem usava um casaco longo - na altura dos joelhos - da cor preta, por baixo, uma camisa branca e uma gravata vermelha, calça de tecido oxford também preto assim como seus sapatos de bico quadrado.
               
Há poucos metros da entrada, jazia um homem no chão, com sinais de espancamento, mas não estava morto, e ao lado dele um rastro lilás.
Andou mais um pouco em direção ao som nojento de carne sendo rasgada e mastigada, grunhidos e outros sons nada agradáveis.
Ao passar por uma árvore, o escritor se deparou com Ele, O Devorador, que parou o que estava fazendo, deu um sorriso que lembrou o sorriso do gato de Cheshire da obra “Alice no País das Maravilhas”, expôs todos os seus dentes serrilhados e com um pedaço de pele entre eles.
- O senhor veio me buscar? - perguntou a criatura praticamente grunhindo.
- Sim - fez uma breve pausa enquanto admirava a sua criação - Eu vim lhe buscar - Já tirando de dentro de seu casaco uma caneta tinteiro prateada e de ponta dourada.
O Devorador tinha uma aparência bizarra, quase dois metros de cumprimento, cheio de braços e pernas humanas que saiam das laterais de seu corpo, mas  não funcionais, tinha cabeça de cachorro, mas com seis olhos, sua mandíbula tinha uma abertura de praticamente um metro, pelos roxos com as pontas lilás e lisos e um focinho bem alongado.
Arrastou-se até próximo do escritor e perguntou:
                - O senhor poderia ao menos deixar eu terminar essa última refeição? - sorriu novamente tentando ser simpático, que foi como ele foi criado para ser.
O escritor sorriu antes de responder:
                - Sim pode.
Após colocar uma longa língua lilás para fora e lamber a mão de seu criador, o ser voltou até o cadáver que já havia quase terminando de devorar as entranhas.
O humano aproximou-se um pouco mais, não sentia nojo, trabalhou um tempo como médico legista, estava acostumado com aquela visão, sem contar os vários livros de horror e terror que ele leu e escreveu.
- Senhor... Afinal... Por que... Me criastes? - perguntou enquanto comia algo que parecia ser um rim.
O escritor baixou a cabeça sentindo-se envergonhado e ao mesmo tempo triste.
- O criei para ser fiel companheiro de um demônio caçador de demônios.
- O senhor... - mastigava enquanto tentava falar - Está... Falando de Ar...Kage - mal foi possível entender as últimas sílabas.
- Sim, dele mesmo. - Enfim respondeu.
Aquela conversa estava começando a incomodando o escritor, que tinha certos critério de educação um tanto quanto fora dos padrões atuais, coisas do tipo dobrar o lenço e apenas tocá-lo nos lábios, comer de boca bem fechada e sem fazer barulho, segurar corretamente os talheres e após comer pô-los da forma correta no prato vazio... Coisa que muitos considerariam frescura.
Ver sua criação comer daquela forma estava lhe dando nojo, o que chegava a ser bizarro já que era por conta da forma como o animal se alimentava e não do que ele se alimentava.
Novamente um sorriso bizarro:
                - Eu o vi, apenas uma vez, mas ele me mandou fugir porque sabia que o senhor viria atrás de nós – fez uma pequena pausa para engolir, sorrindo em seguida - e que se caso eu não conseguisse fugir eu deveria tentar matar o senhor.
- E por que você não vai fazer o que ele disse?
- Porque o senhor é o nosso criador, se o senhor acha que não devo existir, é porque não devo.
Voltou a sua refeição.
               
O escritor começou a sentir pena daquela criatura que apesar de horrenda e de preferência alimentícia estranha, de forma alguma era um ser maligno, a maior prova disso, era o segurança que permanecia vivo, apesar de bem machucado.

O Devorador arrotou alto, tão alto que ecoou pelo cemitério.
O escritor quase se retorce por conta disso.

- Acabei senhor - novamente aquele sorriso, agora cheio de restos de vísceras presas entre os dentes - o senhor já pode me apagar. - arrastou-se novamente até o homem - Se não for pedir muito, o senhor poderia acariciar um pouco a minha cabeça? O senhor me fez raciado com cachorro, e nós gostamos de uma coçadinha atrás da orelha.
“Cachorro, tubarão, o gato de Cheshire, uma massa de corpos humanos disformes, com pelos lilás ou roxo e com desejos de comer apenas carniça.” Pensou o criador sentindo-se com cada vez menos vontade de dar fim aquela criação, mas se fazia necessário.
- Deite-se Bengt.
- Esse é meu nome?
- Sim esse é o seu nome. – respondeu de forma tenra a seu criação.
- Eu gosto dele senhor. - apensar da voz de Bengt mal passar de grunhido, ele parecia estar feliz naquele instante.
- Eu sei que gosta.
Ele deitou-se.
O escritor agachou-se e começou a coçar a cabeça do animal que ficara relaxado. Na mão esquerda encontrava-se a caneta que ele cravara em seguida no pescoço de sua caça.
Ele se debatera um pouco, teve pequenos espasmos, mas sua expressão apenas passava a impressão de estar curtindo as carícias que estava recebendo, enquanto era absorvido para dentro da caneta.     
Ao terminar, com os olhos marejados, o homem levantou-se e seguiu caminhando lentamente para fora do cemitério. Em sua mão esquerda, ainda pingando tinta lilás, estava a caneta, que ele usou para por um fim em uma de suas criações que ele tanto amou ao ponto de dar-lhe vida.
Em seu peito ainda pulsava o desejo de sair dali com Bengt como um parceiro, assim como era de Arkage nos livros que o homem escreveu.

O que o homem de preto não percebeu foi que outra de suas criações estava ali, e este estava debulhando-se em lágrimas pelo triste fim de seu companheiro que ele mal conheceu.




By
Dante Saboia 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Você em Minha Vida.




E então você apareceu na minha vida...
O ser mais belo que já vi...
Com o sorriso mais radiante 
Que pode vir a existir...
Com os olhos mais cheio de vida
Que já fitei…
E o sorriso mais carismático 
Que alguém pode vir ter...

Você entrou em minha vida 
De forma inesperada...
Chegou como uma tempestade...
Que surge sem aviso 
E avassala tudo…
Me tomou de assalto...
Arrombou meu coração e 
Lá se alojou...
E é com muito prazer
Que lá a mantenho... 

Oh meu amor..
É com grande satisfação 
Que te tenho dentro de mim...
Que te tenho em minha vida...
Que te tenho com grande apreço...
E que jamais não quero que parta.

É com muita felicidade
Que lhe mantenho em minha mente...
Em minha alma...
E uni meu espírito ao teu.

Oh Senhora dos meus pensamentos...
Dona dos meus desejos...
Divindade que cultuo...
Meu sonho realizado...
Luz dos meus olhos e
Dos meus caminhos.
A ti dedico esse poema...
E agradeço a ti e
A todos os deuses
Por estares em minha vida
Porque te tornastes o melhor de mim...
Te tornastes parte muito importante...
Em minha vida...
Em minha mente...
Em meu coração...

Quero que saibas...
Que te amo...
Amo hoje...
Amo amanhã...
Amo para sempre.

Que esses últimos onze meses
Foram os mais bem vividos...
Onze meses de brigas...
Muito amor...
Tensões...
Muita compreensão...
Amizade...
Companheirismo...
Carinho...
Dedicação...

Foram os onze meses
Mais intensos...
Mais felizes...
Mais surpreendentes
Que tive nos últimos anos...

Então meu benzinho...
Parabéns a nós
E que muitos mais meses...
Muitos mais anos...
Muitas mais vidas...
Passem...
E que permaneçamos juntos...
Eternamente...
Além dessa vida...
Além desse mundo...


Dante Sabóia.